A maioria dos jovens com câncer testicular nunca recebe um encaminhamento formal para avaliação da fertilidade
O diagnóstico acontece muito rápido. Um dia você encontra um nódulo e, em poucos dias, já estão marcando sua cirurgia, você está se consultando com oncologistas e tentando assimilar informações que parecem vir de todos os lados. Nessa confusão, muitas vezes algo importante acaba sendo completamente esquecido: a conversa sobre sua fertilidade.
Um estudo publicado na revista *Urology* no início de 2026 analisou quase 6.000 homens em idade reprodutiva diagnosticados com câncer testicular entre 2015 e 2025. O que o estudo revelou é difícil de aceitar. Apenas 9,53% receberam orientação sobre preservação da fertilidade nos seis meses seguintes ao diagnóstico. Apenas 8,43% acabaram por armazenar seu esperma.
Isso significa que, mais ou menos, 9 em cada 10 homens que passam por isso nunca tiveram essa conversa.
Por que o momento certo é importante
As diretrizes da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva geralmente recomendam a criopreservação de espermatozoides antes da orquiectomia — antes da cirurgia, não depois. Esse momento é importante. A quimioterapia e a radioterapia podem causar danos genéticos aos espermatozoides, o que significa que a amostra que você armazena antes do início do tratamento é geralmente a mais saudável disponível. Assim que o tratamento começa, essa opção muda.
O câncer testicular afeta principalmente homens entre 15 e 35 anos — bem no meio da fase de maior fertilidade. Se você deseja ter filhos biológicos algum dia, essa não é uma decisão que pode esperar.
Quem está ficando de fora
O estudo também descobriu que o acesso a essas conversas não é igualitário. Pacientes não brancos e pacientes mais velhos na faixa etária reprodutiva tinham uma probabilidade significativamente menor de receber aconselhamento ou encaminhamentos para bancos de esperma. A diferença entre os tipos de unidades de saúde era gritante: em centros médicos acadêmicos, cerca de 5,82% dos pacientes receberam aconselhamento sobre preservação da fertilidade. Em centros não acadêmicos, esse número caiu para 0,98%. As taxas de criopreservação de esperma em centros não acadêmicos eram praticamente nulas.
O local onde você recebe tratamento — e quais são as prioridades desse centro — tem um impacto real sobre se o tema da fertilidade chega a ser abordado.
O que você pode fazer agora mesmo
Se você ou alguém de quem você gosta acabou de receber o diagnóstico, não precisa esperar que o profissional de saúde toque no assunto. Você pode perguntar diretamente:
- "Devo armazenar esperma antes da cirurgia ou do início do tratamento?" - "Você pode me indicar um especialista em fertilidade ou um banco de esperma?" - "Existe algum tipo de auxílio financeiro disponível para a criopreservação de esperma?"
Essas são perguntas lógicas e importantes. Fazer essas perguntas não atrasa o teu tratamento contra o câncer — na maioria dos casos, o armazenamento de esperma pode ser feito nos dias entre o diagnóstico e a cirurgia.
O panorama geral
A fertilidade não é uma nota de rodapé no tratamento do câncer. Para muitos homens, ela está ligada à forma como se veem, como imaginam o seu futuro e ao que lhes é tirado por algo que não escolheram. O fato de essa conversa não acontecer rotineiramente não significa que a tua situação seja incomum — é uma falha no sistema.
Você merece conhecer suas opções antes do início do tratamento, não depois. Não deixe de perguntar.